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Brasileiro consome 7 litros de agrotóxicos por ano

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O pensamento comum é de que frutas, legumes, grãos, cereais e outros alimentos naturais viram um banquete de nutrientes e vitaminas que se transformam em mais saúde para o corpo. Seria perfeito mesmo, não fosse a presença de ingredientes adicionados à grande maioria deles ainda na terra: os agrotóxicos.

Estas substâncias químicas são usadas aos montes na agricultura brasileira, a tal ponto que, desde 2008, o Brasil ocupa o posto de campeão mundial no uso de agrotóxicos para manter as pragas longe das lavouras, segundo dados do Ibama.

Se de um lado o agronegócio progride com a garantia de colheitas sem prejuízos, por outro nos tornamos consumidores de substâncias desconhecidas, muitas delas consideradas, inclusive, cancerígenas. Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz aponta que cada brasileiro consome, em média, 7 litros desse veneno por ano.

Mais perigoso que o cigarro

Mas como comemos tanta comida contaminada? Uma pesquisa da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), da Universidade de São Paulo, revelou que os agrotóxicos, inclusive os mais perigosos, estão muito presentes na alimentação da população.

A pesquisadora Jacqueline Gerage Marques, mestra em ciência e tecnologia de alimentos, cruzou dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com informações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para analisar 743 itens alimentares bastante comuns no nosso cardápio, entre eles, abacaxi, abóbora, arroz, batata, café e cebola. A conclusão foi que 69 compostos excediam o valor de ingestão diária aceitável para não afetar a saúde de uma pessoa.

O foco do estudo era entender a contaminação crônica, causada pelo consumo de pequenas quantidades de resíduos de agrotóxicos por um longo período. O chamado efeito cumulativo dessas microdoses de venenos ao longo da vida é apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), como responsável pelo aparecimento de diversas doenças, sobretudo, o câncer.

“Antigamente, os fabricantes negavam que o cigarro causasse câncer e pudesse matar. Mesmo assim, a escolha de fumar sempre foi individual. Com os agrotóxicos, a situação é mais grave, pois a população está adoecendo e não tem direito de escolha.”
– Karen Friedrich, biomédica, toxicologista e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.