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A Beraca é um exemplo de sustentabilidade, inovação e responsabilidade social

A Beraca, líder no fornecimento de ingredientes naturais e orgânicos para produtos de higiene e cosméticos, talvez seja uma das representantes mais ilustres da campanha Be Brasil, da Apex-Brasil. A ação apresenta o país como parceiro confiável, estratégico, criativo e atento a valores como sustentabilidade e inovação.

Há mais de 40 anos, a Beraca trabalha com óleos e manteigas vegetais fabricados a partir de ingredientes sustentáveis e que valorizam a sociobiodiversidade. E ainda desenvolve uma série de projetos que a colocam como um exemplo de empresa socialmente engajada.

Para quem acha que esse engajamento só é possível em um discurso de fachada, basta lembrar que empresa atua em todo o território nacional, distribui seus produtos para mais de 40 países e conta com três subsidiárias internacionais, uma localizada na França e duas nos Estados Unidos. Tudo, claro, com certificados e auditorias internacionais que garantem a procedência de seus produtos e correção dos seus processos.

Para falar da experiência da Beraca e de como ela atingiu o estado da arte, o Blog da Apex-Brasil conversou com o presidente da empresa, Ulisses Sabará, que nos falou dos caminhos da que a empresa traçou até aqui e até onde ela quer chegar. Confira!

Como foi o início da Beraca?

Tudo começou quando eu e meus irmãos assumimos os negócios do meu pai, que faleceu em 1978, quando eu tinha 19 anos. Ele trabalhava com distribuição de cloro. Éramos três irmãos jovens que sabiamos pouco da vida. Nós passamos os anos 80 inteiros trabalhando com cloro.

E como vocês decidiram mudar de ramo?

Fizemos uma viagem de negócios ao México para tratar de assuntos relacionados ao tratamento de água e acabamos conhecendo uma planta fantástica, chamada jojoba. Nos ofereceram esse produto para ajudarmos a abrir mercado no Brasil. Comecei a trazer para o país o óleo de ojoba puro. Esse foi o meu primeiro produto que não tinha nada a ver com tratamento de água.

Aí vocês viram que o negócio de óleos naturais tinha espaço no mercado?

Sim. A jojoba foi o primeiro produto. Aí comecei a trazer outros óleos: de amêndoa, semente de uva, gérmen de trigo, de apricot, noz pecan, etc. Foi quando me toquei: porque não trabalhar com produtos da Amazônia? Poderia usar os canais que já tinha fora do Brasil e passar a vender essa matéria prima. Foi aí que encontrei dois professores que trabalhavam da Universidade Federal do Pará e que tinham uma empresa encubada na universidade. Isso era o ano 2000 e a Natura estava apresentando o briefing dos produtos da linha Eko. Me animei com a oportunidade e acabei comprando a empresa dos professores. Foi quando comecei a produzir óleos para exportação e para a indústria de cosméticos. Produto à base de andiroba, manteiga de murumuru, etc.

E esse processo de mudança da empresa demorou?

Levei cinco anos para vender o meu primeiro quilo do produto, mas porque optamos por trabalhar com um modelo sustentável, que é o quê? Em vez de ter uma fazenda enorme para ser dono de todo o processo, eu optei por trabalhar com comunidades e cooperativas. O que fazemos é organizar essas comunidades para garantirmos uma cadeia de suprimento.

E como agregar valor a essa cadeia?

Nós aliamos os hábitos e conhecimentos dos moradores da região com pesquisas científicas de universidades antes de vendemos os produtos para o exterior. Coisas simples como o óleo de um tipo de castanha que dá na entressafra da pesca na Ilha do Marajó. Essas castanhas são catadas pelas pescadoras para serem utilizadas como repelente. Pesquisamos esse produto e depois ensinamos às catadoras como escolher as castanhas corretamente. Nesse projeto, fechamos parceria com a Loccitane, que compra o óleo direto das mulheres. Hoje elas vendem o produto a R$ 20, quando no passado vendiam a R$ 2. Isso é agregar valor.

Então você encontra mercado para produtos que ainda nem existem e ainda organiza comunidades para servirem como fornecedoras. Esse processo levou você para muito longe, certo?

É verdade. Hoje exportamos para 40 países, temos dois escritórios nos EUA, um na França, uma rede de 26 distribuidores e, para desenvolver tecnologia de ponta, ainda me associei a um parceiro suíço que me garante uma presença global. Com esse parceiro, quero me voltar para a área de alimentos. Para isso criei uma empresa chamada Concepta que trata da pós-sustentabilidade.

O que é isso?

A sustentabilidade é deixar para as próximas gerações o que estamos usufruindo hoje. Pós-sustentabilidade é regenerar o que hoje está degradado. Para isso, eu tenho que trabalhar com conceitos de permacultura. Estamos fazendo isso no Piaui. Em apenas quarto meses, cultivamos e colhemos alimentos orgânicos em abundância em um solo árido. Tudo com o mesmo espírito que iniciamos na Beraca, de envolver a comunidade, utilizar pesquisa e tecnologia.

E vocês têm algum recurso público nesses projetos?

É praticamente zero. Recebemos muito apoio da Apex-Brasil, que nos ajuda com a promoção dos nossos produtos no exterior e ao nos levar para feiras internacionais, o que nos deixa sempre no radar de investidores e clientes.

E esse investimento em alimentos orgânicos? Você imagina que vai render que tipo de frutos?

Quero acelerar a produção de alimentos orgânicos que possam manter a riqueza do solo, manter a floresta em pé, o Cerrado, a Caatinga, a agricultura familiar, tudo isso frente aos grandes produtores, que estão lá no Piauí, por exemplo, entrando com a soja em uma região que só precisa de água para se mostrar rica e fértil.

Alimentos, cosméticos, ações sociais. Afinal, você faz o quê?

Quando me perguntam o que eu faço, eu respondo que é conectar. Eu conecto conhecimento científico, pessoas que fazem parte de uma cadeia produtiva e produtos naturais e sustentáveis. Daí eu abro mercado. Meu sonho é levar ao mercado produtos tecnologicamente avançados, quero ajudar a acabar com essa história de que o Brasil só exporta commodities.

Conheça mais histórias de sucesso em www.bebrasil.com.br/pt

Veja o vídeo em que Ulisses Sabará conta a história da Beraca